Circo Tihany, em São Paulo
Vida de circo
Circo Tihany: a nova turnê brasileira, que teve início em 2010, já passou por Belém, Brasília e Salvador, entre outras cidades, e foi assistida por mais de um milhão de espectadores. De certo modo, é uma ode ao que Tihany apresentou de melhor em 50 anos – daí o nome AbraKdabra.
As atrações são escolhidas dos grandes festivais de circo, como Monte Carlo, Paris, Budapeste, Rússia e China. Assinado o contrato, os artistas se “mudam” passam a acompanhar a estrutura do Tihany. Foi o que aconteceu com o venezuelano Henry Ayalla Júnior, de 32 anos, quinta geração de uma família circense. “Eu cresci no circo, já fazia acrobacias com cinco anos”, diz Ayala. Ainda jovem, ele foi morar com o pai na França e fez seu duplo aprendizado rodando pelos países. “Eu trocava de escola com muita frequência, mas todo mundo queria ser meu amigo porque logo no primeiro dia a professora explicava que eu era do circo”, diz.
Vida nômade
O circo tem uma estrutura de 900m2, com 1,8 mil metros de tecidos estendendo-se sobre o público e os espaços que fazem as vezes de camarins e bastidores. Cerca de 2 mil pessoas podem se acomodar nas cadeiras em um ambiente climatizado. Afinal, os circos, em tempos em que a experiência substitui o mero entretenimento, são quase como um teatro pop up montado para a temporada.
Diferentemente dos “tempos românticos”, os artistas de circo hoje ficam em hotéis. A perspectiva, embora pareça mais glamurosa, nem sempre é. “Em 34 anos viajando com o Tihany, eu posso lhe assegurar que é muito melhor morar num bom trailer do que ficar em hotel”, diz o diretor artístico Richard Massone. Como ele, os integrantes das equipes administrativa e técnica moram em casas-volantes que acompanham a transferência do Tihany de uma cidade a outra. Também diferentemente do que acontecia no passado, todo mundo tem contrato com direito a um mês de férias anuais. “Dezembro, por causa do Natal, é sempre uma época mais procurada”, afirma o diretor. Como o show não pode parar, o “RH” do Tihany garante que sempre haja substituições em casos de folgas e férias. Em toda a sua existência, o Circo Tihany passou por 40 países, em um total de mais de 600 cidades, atraindo 80 milhões de pessoas.
Tihany, uma história que começou no Parque Dom Pedro
O húngaro Franz Czeisler chegou ao Brasil na metade dos anos 1940, fugindo da II Guerra. São Paulo era uma cidade em processo de verticalização. Em suas andanças pelo Centro, ele descobriu um teatro de marionetes no Parque Dom Pedro e propôs ao proprietário que lhe arrendasse o espaço. O pagamento seria feito em dez notas promissórias. Na primeira visita para coletar o dinheiro, Czeisler perguntou se o proprietário trazia todas as notas. “Vou pagar todas elas, pode trazer”, teria dito. Foi a primeira lona do que se tornaria depois o Circo Tihany e suas encarnações posteriores, como Tihany Espetacular.
Franz Czeisler decidiu adotar o nome de sua cidade no norte da Hungria. Ele aprendeu a fazer mágica na Europa e com seu próprio espaço em São Paulo, ele passou a fazer apresentações para o público. Franz Tihany, o “Mago dos Magos”, como o artista ficou conhecido, iria depois para o interior paulista, antes de começar a viajar pelo Brasil.
Ele esteve ativo no mundo circense até completar 90 anos, quando se estabeleceu definitivamente em Las Vegas, nos Estados Unidos. Tihany tem 96 anos e continua sendo uma das figuras mais respeitadas do mundo circense.


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